Envie sua mensagem pelo WhatsApp (84) 9 9235 7898

País de renda média com doenças de baixa renda

EDITORIAL – FOLHA DE S. PAULO (12/10/2024)

Apesar de ser um país de renda média, o Brasil ainda precisa enfrentar as chamadas doenças determinadas socialmente, ou seja, aquelas típicas de nações pobres, casos da tuberculose e da hanseníase.

Isso porque tais enfermidades estão relacionadas a aspectos infraestruturais, como saneamento básico e moradia, que sofrem com a ineficiência histórica nas três esferas de governo por aqui.

Fazemos parte da lista da Organização Mundial de Saúde dos 30 países com maior incidência de tuberculose no mundo, a maioria deles na África e na Ásia. Brasil e Peru são os únicos das Américas.

Segundo o Relatório Global da Tuberculose da OMS, em 2022 foram estimados 10,6 milhões de casos, com 7,5 milhões de fato diagnosticados. A pandemia de Covid-19 aumentou o número de mortes que, no mesmo ano, foi projetada em 1,3 milhão.

Globalmente, o índice de incidência (número de casos por 100 mil habitantes) em 2022 foi de 133, puxado por países populosos da África e da Ásia. Houve redução de 8,7% em relação a 2015, ainda muito longe da meta da OMS de 50% até 2025.

No Brasil, esse indicador passou de 34,7 em 2014 para 39,8 em 2023, de acordo com o Ministério da Saúde. Em 2020, ele atingiu o nível mais baixo (32,8) mas a crise sanitária o impulsionou. Pelo dados mais recentes da pasta, o número de mortos girou entre 4,4 mil e 4,6 mil de 2013 a 2020, e subiu a 5,8 mil em 2022.

Outro problema é a baixa adesão ao tratamento, que dura no mínimo 6 meses. Em 2022, só 67,7% dos pacientes diagnosticados que tomaram a medicação foram curados e 14,9% a abandonaram, piores taxas desde 2012, quando foram de 75,3% e 11,5%, respectivamente —segundo a OMS, com tratamento correto, 85% dos pacientes são curados.

A situação da hanseníase também preocupa. O boletim epidemiológico do Ministério da Saúde deste ano mostra que o Brasil é o segundo colocado mundial em número absoluto de casos, atrás apenas da Índia. O país concentra mais de 90% dos doentes diagnosticados nas Américas. Foram 19,1 mil novos casos de janeiro a novembro de 2023, ante 18,2 mil no mesmo período do ano anterior —aumento de 4,8%.

Para piorar, como mostrou a Folha, em março o SUS enfrentou escassez de medicamentos.

Doenças socialmente determinadas exigem ação interdisciplinar. Sem foco em infraestrutura, para saneamento e moradias, é quase impossível melhorar indicadores de modo consistente.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *