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Tem muito capeta cochichando em nossos ouvidos

Nesses tempos recentes, que costumo chamar de estranhos, os núcleos familiares estão muito afastados. É cada um no seu canto, de olho na tela ou “viajando” no que escuta nos fones de ouvidos cada vez menores e mais tecnológicos. Os diálogos são raros, inclusive entre pais e filhos, irmãos e por aí vai. Ao mesmo tempo, tenho percebido o aumento na quantidade de pessoas que dizem ter escutado Deus!

As tais redes sociais são ferramentas de informação, interação, ao mesmo tempo que servem como vitrines. E vitrines não estão preocupadas com valores, mas, sim, com preços e belas embalagens. Sim, elas, as redes, também são usadas como palcos, para todos os tipos de apresentações, desde as culturais, pedagógicas, comerciais, passando pelas exibições de bundas, peitos, bocas, dentes, cabelos e, olhem a que ponto chegamos, pessoas que, ao invés de preservarem seus momentos de fé – se é que sabem o que é isso -, produzem postagens com caras “angelicais”, garantindo que “Deus me disse agora”, “Deus falou comigo”… E tem até uns e outros que ultrapassam o bom senso e afirmam terem recebido ligação telefônica do Criador! Duvida?! Procure na internet.

Já ouvi de algumas pessoas que sou chato, grosso, estúpido, antissocial, ignorante. Palmas para elas! Finalmente, conseguiram perceber algo além de um palmo das suas ventas, às vezes, acreditem, até maiores que a minha! Sempre questionei, observei, não à toa enveredei pelo jornalismo, mas sempre mantendo o cuidado para não ser injusto, embora algumas vezes a “injustiça” vista pelos outros me parece a maior normalidade da face da terra. Bom que não somos iguais! Menos mal!

Por causa desse meu comportamento, não concordo, só para citar um exemplo, com um cidadão com quem conversei dia desses, ainda no ano passado, quando ele disse ter participado de uma missa no mês de dezembro, na zona Oeste de Natal(RN), numa igreja  que estava lotada porque “agora é dos ricos”, desde que passou a ser comandada, aí já sou eu quem digo, por um padre com a cara de “areia mijada”, desses que vivem nas redes sociais, abraçado com novinhos e novinhas, que, coincidentemente, é o mais procurado, para celebrações de casamentos e batizados, justamente pelos “ricos”, alguns dos quais até já foram acordados por policiais federais em tempo nem tão distante, mas já voltaram a desfilar nos “eventos sociais”. Deus perdoa! Não é assim?!

Deve ser porque sou chato, grosso, que não acredito nesse povo que diz ter ouvido Deus. Também não duvido! Quem sou eu para duvidar de nada, ainda mais depois que “Caneta azul” virou sucesso musical no Brasil. E, no alto da minha esquisitice, não vejo o motivo de existir tanta gente “santa” no meio do mundo, enquanto ele está, a cada minuto que passa, mais violento, inquieto, injusto, repleto de fenômenos naturais que destroçam as engenharias humanas, como se desejassem “mandar um recado” a nós, os miseráveis. Mas, o que devemos esperar de “gente”? E essas criaturas tão “santas”, com linha direta, segundo elas, com Deus, só servem para pagar dízimos, fazer coreografias nos templos, gritar, fechar os olhinhos e publicar a cada segundo: “Gratidão!”?  Não colaboram em nada pra minimizar essas atrocidades por aqui?!

Deve ser coisa da minha cabeça! Minha esquisitice deve estar roendo o restinho do meu juízo, que nunca foi lá essas coisas. Tem muito capeta por aí falando em Deus. É como se um vendedor de cachaça fosse palestrante numa unidade dos Alcoólicos Anônimos. E já vou avisando que não tenho nada contra uma cachacinha, nem contra Deus e até não me desesperaria se tivesse que trocar uma ideia com o capetão raiz, lá das profundezas, pois até já me acostumei com alguns dos seus “alunos” que, vez por outra, chegam, aprontam alguma, me fazem raiva, mas os mando pra a “puta que pariu”, tomo um cafezinho e sigo, cambaleando, mas vou. Sou “ignorante”, lembram?

E, em alguns momentos de pura ousadia, até converso com Deus, sem precisar de intermediários, templos, muito menos de religião: reclamo, choro, agradeço, peço que só um condenado… Papo de filho para Pai, que não precisa de palco.

Cuidado se ouvir alguma voz: pode ser um bicho de chifre – ou uma chifruda bem ajeitadinha – se passando pelo Homem lá de cima.

Obrigado pela companhia!

João Ricardo Correia
Imagem gerada por IA

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