
Os sites de busca não informam, nem especulam, sobre quem teria sido a primeira pessoa a cometer suicídio. Na história ocidental documentada, um dos primeiros relatos em destaque é o de Empédocles, cerca de 400 anos antes de Cristo, filósofo grego que teria se atirado no vulcão Etna para provar sua divindade.
Tomo a liberdade de tocar nesse assunto, doloroso e marcante, diante de tantos casos recentes, em sua maioria envolvendo jovens. Ninguém está livre! Ninguém! Quem explica a extrema decisão de colocar um ponto final na vida, sem levarmos em conta credos, crendices e religiosidades? A quem interessa a explicação? Quem se foi não tem mais jeito, fato consumado! Quem ficou estará satisfeito com as teorias que escutará, ou passará o tempo que resta pensando no que aconteceu?
São as surpresas da nossa existência. Sempre ocorreram tragédias, só que, nos últimos tempos, elas nos chegam quase instantaneamente, por meio das redes sociais e veículos de comunicação. Daí, os “tribunais” e “especialistas” entram em ação, inclusive comentando postagens repletas de erros e intenções deploráveis.
Será que os suicidas desejavam, pura e simplesmente, o fim da vida? Ou queriam parar de sofrer, de sentir dores físicas e psicológicas, não ter mais decepções, não enfrentar injustiças e não acharam outra solução, a não ser a morte? Eles estavam errados?! Quem somos nós para julgar?! Julgar pra quê?! Para corroborar com “líderes religiosos”? Para vender livros? Para palestrar? Enfim…
Longe de pretender ser especialista em alguma coisa, o tempo me serve como sala de aula por quase 53 anos. Por essa carcaça forjada em tantas situações, já circularam pensamentos que tentaram me encaminhar para a finitude. Menos mal, ainda permaneço por aqui. Até quando?! Quem, miseravelmente igual a nós, sabe?!
O suicídio precisa, sempre, permanecer em pauta, sendo discutido, prevenido e observado. Quem sabe, alguns dos episódios não poderiam ter sido evitados com maior observação dos parentes, amigos, colegas de trabalho? É que hoje, evidentemente sem generalizar ou promover algum tipo de sentença, muitas pessoas ignoram ou são insensíveis com os que estão a sua volta e se preocupam muitos mais com as superficialidades do mundo, com a bunda de fulana, com o chifre que o famoso ator levou, com o bandido de estimação, com os seguidores no “Insta” e não param alguns minutos sequer para ouvir o próximo, apertar sua mão, oferecer um abraço. Sim, tantas vezes falta quem nos escute! E de tanto desprezo, muitos se recolhem e preferem a solidão aos “conselheiros e conselheiras”, que almejam muito mais saber sobre a vida de quem está desesperado, deprimido, acomodado, triste, chamem como quiser, a buscarem um alívio, por menor que pareça, para aquele momento.
Esses registros tristes, quando tantos tiram a própria vida, precisam receber atenção. E respeito, inclusive para aceitar a vontade de quem partiu.
Quem será o próximo a colocar o ponto final?
Agora, um cafezinho para aquecer a alma!
Abraço!
E obrigado pela atenção!
João Ricardo Correia
Imagem gerada por IA
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