
A caminhada organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, do PL mineiro, cheira – ou fede – a encenação política, munganga pré-campanha eleitoral. Não duvido do caráter do parlamentar, que tem falas firmes, posicionamentos contundentes e grande articulação política, mas considero essa movimentação incapaz, ao menos, de fazer cócegas nos egos lustrados de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal, que persistem ditando as regras no Brasil. O embate deveria ser no Congresso Nacional, que precisaria deixar de ser covarde e cúmplice de “poderosos togados”.
De carona nos passos do jovem e talentoso Nikolas, muitos aproveitadores produzem cortes muito bem planejados, pelas assessorias pagas com dinheiro público, para as redes sociais. No passar dos quilômetros e na produção em série de calos que resultam em expressões doloridas, fotografadas e filmadas profissionalmente, eleitores apresentam suas expectativas, entoam cantos, bradam palavras de ordem, exercem essa fatia da democracia que ainda é permitida em nossa terra verde e amarela.
O desejo dos que participam do evento, sem falar no interesse pessoal de alguns somente na promoção com vistas às eleições de outubro próximo, é que o ex-presidente Jair Bolsonaro, como tantos outros condenados pelos “atos golpistas”, como consideram algumas das “nossas autoridades”, sejam “descondenados”, como Lula da Silva, que enfrentou um processo completamente diferente, onde corruptos foram julgados, condenados e muitos chegaram a devolver milhões de reais aos cofres públicos, mas circulam por aí, livres. As brechas nas leis, elaboradas pelos legisladores federais, existem justamente para favorecer bandidos.
Bom seria que Nikolas Ferreira tivesse apoio de deputados e senadores que não precisassem caminhar em via pública, nem esbravejar e promover encenações por meio da internet. O Brasil necessita, faz tempo, de uma classe política corajosa, decente, que não se curve a qualquer tipo de ameaça, muito menos se for promovida por nichos do poder que jamais foram escolhidos pelo voto popular. Dos plenários da Câmara Federal e do Senado, o povo brasileiro merece assistir sessões que restabeleçam a democracia e os papéis de cada um dos organismos que compõem os poderes executivo, legislativo e judiciário. Se os homens e mulheres em quem nós votamos – e tantas vezes terminamos elegendo canalhas de todos os lados – não exercem suas funções por receio de punições ou por ligações não republicanas com “poderosos”, de que adiantam essas “procissões profanas” patrocinadas pelo nosso dinheiro?
Dessa turma que corre para os braços de Nikolas Ferreira, muitos se preocupam apenas com a perpetuação no poder, nada mais, e outros sonham em alcançá-lo. Enquanto solados de tênis, sapatos e sandálias são gastos rumo à capital federal, levando ao êxtase apoiadores e provocando a ira dos opositores, o Brasil real continua precisando de emprego, moradia, educação, segurança, saneamento básico, transporte público, estradas, saúde, dignidade.
Carcomida pelas injustiças sociais, a federação brasileira não pode continuar sendo palco para grupinhos que se acostumaram a mamar nas tetas públicas e se tremem quando imaginam perder os mandatos ou os privilégios promovidos por ele, que beneficiam corjas e quadrilhas especializadas em enganar o povo e roubar os cofres nacionais.
Chega de teatro de quinta categoria. Ou a classe política, com raríssimas exceções, deixa de pilantragem, ou o Brasil continuará ladeira abaixo, nas mãos de bandidos com as mais distintas especialidades.
O tema de hoje foi pesado! Vou ali preparar um cafezinho.
Abraço!
João Ricardo Correia
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