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Temos cachorros-quentes: na calçada do TJ ou em frente ao TRE

Imagem gerada por IA

Estou pensando em virar empreendedor, em 2026. Pois é. Pelo que vejo propagado por “coaches” e “especialistas”, esse é um dos caminhos para o sucesso. Vou vender cachorros-quentes e já tenho o local: a calçada da sede do Tribunal de Justiça, em Natal, na Avenida Jerônimo Câmara, 2000, zona Oeste da cidade. Se não for aceito por lá, já tenho o “plano B”, infalível.

O suntuoso prédio do TJRN tem em sua redondeza lanchonetes, mercearias, oficinas de automóveis, gráficas, postos de combustíveis, o Terminal Rodoviário e até um terreiro de candomblé. Bom demais! Não faltarão clientes. Teoricamente, é uma região segura, pela presença de tantas autoridades judiciárias. Já passei por lá algumas vezes, estudei o ambiente, vi até potenciais compradores. A plaquinha no carrinho terá inscrito “cachorro-quente”. Não vou americanalhar meu produto chamando de “hot dog”. O cardápio também será resumido, sem esse besteirol de “gurmê”. Mas terei a preocupação de vender salsichas finas e grossas, para tentar agradar gostos diferentes, afinal de contas vivemos na era da inclusão. O vinagrete será o verdadeiro, tradicional, com tomate, cebola e vinagre. Quem quiser botar molhinhos, ervinhas e outros temperos que leve de casa.

Pois, muito bem. Até já vejo a turma do TJ se deliciando, ali, na calçada. E quem ainda permanece trabalhando em casa, pode fazer o pedido, que será entregue pelo “Bode”, um antigo conhecido, que irá rapidinho, em sua Caloi Barra Forte, atender a clientela. Entregas grátis num raio de 1 quilômetro; passou disso, o valor é calculado pelo entregador e dito somente na hora que ele chegar ao destino. Caso o cliente ache cara a taxa, está autorizada a consumação pelo condutor da magrela que, evidentemente, será descontada em sua “quinzena”. Se ele preferir retornar de bucho vazio, os ingredientes serão devidamente reinseridos no cardápio, após avaliação nutricional e cuidados de higiene oferecidos gratuitamente por uma ferramenta da Inteligência Artificial. Aviso: clientes chatos e que acham que sempre têm razão serão bloqueados sem aviso prévio.

Mas, se alguém ficar incomodado com o empreendimento ali, justamente na calçada no prédio ocupado pelos “homens da lei”, e me denunciar à turma que entende de urbanismo, que pode  resolver me expulsar de lá?! Se eu for notificado, tentarei argumentar, mostrando que ali bem perto tem estabelecimentos que também ocupam calçadas e até parte de ruas com mesas, cadeiras, automóveis… Se não tiver jeito, nem vou bater boca. E ocuparei outro ponto, já previamente estudado.

Avenida Rui Barbosa (Fonte: Google Maps)

Sim, a outra opção será infalível: fica na Avenida Rui Barbosa, zona Leste da capital potiguar, em frente ao Tribunal Regional Eleitoral, tendo na vizinhança edifícios residenciais, academias de musculação, clínicas médicas, padarias, campus central do IFRN. Lugar bacana. Asfalto bem conservado, árvores, sinalização de trânsito em dia. O carrinho de cachorros-quentes será instalado no canteiro central, a poucos metros do “Ponto do Morango”, comércio bem movimentado, frequentado por muita gente com “bala na agulha”, que há anos está ali, acredito, autorizado para ocupar a área pública e sem receber nenhum tipo de visita indesejada de fiscais da Prefeitura de Natal.

Será possível que eu, um minúsculo empreendedor, que estaria gerando fonte de renda, inicialmente, para mim e o “Bode”, seria expulso de lá? Estou disposto a cumprir todos os requisitos que o meu futuro vizinho de geração de emprego e renda cumpre. Ele vende frutas, verduras e tantas outras mercadorias, inclusive tem carrinhos – como nos supermercados -, para delírio das clientes que chegam por lá com seus cachorrinhos no colo. Eu venderia cachorros-quentes, refrigerantes, água mineral sem gás e suco de tamarindo. Meus preços seriam imbatíveis, pois faria uma pesquisa nos atacarejos dos produtos que estivessem perto do vencimento, mais baratos, portanto. Também terei um perfil no Instagram, informando meu endereço no canteiro central! E, claro, colocarei como ponto de referência o Tribunal Regional Eleitoral! Tem como dar errado, com um público-alvo como esse? Só terei cuidado, caso eu vá trabalhar por lá, porque no TRE vão muitos políticos e candidatos e muitos deles adoram enganar. Caso algum se engrace pelo lanche, só aceitarei pagamento adiantado, antes da primeira mordida.

Ponto excelente, no canteiro central (Fonte: Google Maps)

É isso! Já estou começando a pesquisar os preços das comidas e procurando saber com quem falo para poder colocar meu carrinho ali, no canteiro central da Avenida Rui Barbosa, caso eu não consiga ficar lá pelo Tribunal de Justiça. Quero trabalhar com tranquilidade, tudo direitinho, pagando imposto, gerando emprego, mas ali, num ponto legal, mesmo sem vender morangos.

De repente, depois que eu começar, quem sabe, outros empreendedores teriam a mesma decisão e passariam a ocupar os canteiros centrais de Natal?! Seria legal demais! Se pode para “uns”, pode para “outros”. Ou não é assim? O que têm a dizer a Prefeitura e a Câmara de Vereadores?

Olha, o cachorro-quenteeeeeeee!!!!!

João Ricardo Correia

 

2 respostas para “Temos cachorros-quentes: na calçada do TJ ou em frente ao TRE”

  1. Avatar de Geovani
    Geovani

    Amigo, sem um “conhecido forte”, seu carrinho em um dos dois lugares não fica nem uma hora!

  2. Avatar de Eduardo
    Eduardo

    Muito bom

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