
Gente próxima da governadora Fátima Bezerra (PT) está “quebrando a cabeça”, tentando espaço na mídia potiguar, que não venha chancelado com o carimbo de publicidade oficial. A governadora do Rio Grande do Norte precisa aparecer como se fosse uma “pauta espontânea”, “factual”, o que não tem sido fácil num mercado tão blindado por comunicadores – e seus chefes donos de veículos – ligados escrachadamente à “direita”, também encalacrada em escândalos, mas que, por enquanto, tem oferecido farta munição para que seus pupilos destilem ódios e opiniões muito bem gratificadas diariamente.
Pré-candidata ao senado e no segundo mandato como governadora, Fátima tem sofrido o desgaste natural do cargo e penado por pertencer ao Partido dos Trabalhadores, comprovadamente detentor de centenas de membros condenados por corrupção, formação de quadrilha e outras “coisinhas mais”.
Fátima sabe, como experiente política, que a missão de reverter ou, pelo menos, igualar essa “preferência” de determinados comunicadores/veículos não será fácil, principalmente porque em muitas emissoras de rádios, tevês, portais, blogs e perfis de “influenciadores” é nítida a presença das digitais de políticos – entrevistados quase semanalmente – que espalham atuais e ex-assessores, garantindo grande parte das folhas de pagamento e, consequentemente, o controle editorial quase total dos conteúdos “vomitados” com frequência.
Muitas pendências, garantem, em off, aliados da governadora, serão discutidas no chamado veraneio, de dezembro/2025 até fevereiro/2026, quando mansões à beira mar se transformam, rotineiramente, em quartéis generais da politicagem que vai prontinha para oferecer todo tipo de vantagem, a todo tipo de gente, para se manter no poder.
Fátima Bezerra também tem encontrado dificuldades, que ela sabe muito bem como resolver, mas está na dúvida se terá condições políticas para tal, na área da comunicação, emperrada na falta de diálogo inteligente, apesar de ter em seus quadros uma meia dúzia de competentes jornalistas, que não conseguem fazer muito além do que as migalhas oficiais têm colocado à disposição.
A governadora tem perdido batalhas midiáticas, mas está com as chaves do cofre nas mãos e possui habilidade para conversar até altas horas de um dia e no outro fingir que nada aconteceu. Os bastidores asseguram que os “tanques de guerra” já estão sendo preparados, para que a sociedade – ou parte bem pequena dela – comece a perceber algumas mudanças de comportamentos em breve.
Quando o jornalismo cede às chantagens, não tem como ser diferente.
João Ricardo Correia
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