
O modismo, alimentado pelo superficialismo que move multidões de hipócritas e abestalhados, joga luz no tal “morango do amor”. De uma hora pra outra, mortais das mais diferentes classes sociais sonham em provar a novidade, uma imitação barata da tradicional “maçã do amor”.
A “febre do momento” contrasta com a fome e a sede, que ainda mutilam alma e corpo de milhões de pessoas iguais a nós, que desejam um copo com água, um pouco de alimento, a garantia de mais um tempo de vida.
O mundo e suas nuances. As diferenças que nos mostram como fracos, mesquinhos e, tantas vezes, acomodados e calados diante de injustiças.
Quanto tempo da mídia está sendo usado para apresentar essa marmota! Quantas crianças que nunca chuparam, sei lá, um pirulito dos mais simples – e nem por isso menos deliciosos – ficam ali, diante de uma tela, imaginando como seria o sabor daquela fruta fantasiada, enquanto adultos fazem caras e bocas enfiando aquele troço na boca.
O doce do “morango do amor” amplifica o amargor e a sordidez patrocinados por uma sociedade rasteira, que talvez necessite, mesmo, é de uma “macaxeira do amor”.
João Ricardo Correia
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