
A imprensa brasileira precisa redescobrir o Brasil, deixando de viver em uma bolha onde tudo parece maravilhoso, distorcendo a realidade e fazendo com que milhões de desavisados continuem, cada vez mais, desinformados.
Com o advento das redes sociais e a quebradeira que mandou para a cova muitos veículos de comunicação, virou fato corriqueiro, escancarado, a publicação de releases de instituições públicas e privadas, pois sai mais barato para jornais, rádios, sites, blogs e portais, que investem menos em mão de obra e despejam grande quantidade de conteúdo, mesmo que a qualidade seja desprezível ou sem importância para o grande público.
São raras as reportagens, as matérias investigativas, as denúncias sérias, respaldadas em fatos, ouvindo quantas versões forem possíveis, para deixar o noticiário transparente, interessante, necessário para a formação de uma sociedade desenvolvida.
O Brasil decadente e adorador de corruptos valoriza os que desmerecem as reportagens; joga luz nos veículos que lucram com a superficialidade, com o estrelismo dos seus colaboradores, com babacas que mal falam, sorriem feito hienas e, certamente, não conseguem escrever, sem erros, uma fase com mais de oito palavras. O resultado está dentro das nossas casas, basta observar com atenção e sem paixões político-partidárias.
Os tais “influenciadores” e “criadores de conteúdos” aprenderam a ganhar dinheiro – o que é legítimo – e muitos deles viraram “fontes” ou “colaboradores” de veículos de comunicação que, regra geral, parecem com tudo, mesmo com palco para atuação de jornalistas. Aliás, jornalista qualquer um pode ser, principalmente com essa proliferação de faculdades privadas quase todas com ensino a distância; ser repórter fica mais complicado para quem não sabe elaborar uma pergunta inteligente, analisar um cenário, redigir um texto minimamente entendível. Prestem atenção: muitos dos famosos da comunicação de hoje respondem a quase todas as perguntas com um sonoro “com certeza”, totalmente compatível com o vocabulário pobre e a falta de capacidade em aprender.
Basta ler um desses sites, dos que muitos chamam da “grande imprensa”, para saber o que os similares trazem. As diferenças são mínimas.
O jornalismo precisa ser voz das ruas, dos trabalhadores, do povo, dos desempregados, dos comerciantes, dos servidores públicos, dos estudantes, de todos. Deve mostrar a realidade, servir para expor problemas, cobrar responsabilidade dos servidores públicos que se acham a última Coca-Cola do deserto por serem tratados como “doutor” e “doutora”! Quer coisa mais ridícula que ficar escolhendo o melhor gestor público e ver jornalista mais feliz que pinto no lixo ao ser fotografado ao lado da “autoridade” que acabou de pagar-lhe um almoço?
Este blog até publica conteúdos produzidos por terceiros, citando a fonte, claro, mas tem consciência que precisa oferecer aos leitores uma maior quantidade, com qualidade, de produção interna. A falta de apoio financeiro, até agora, para a manutenção deste informativo no ar, dificulta a produção de reportagens, por exemplo, que demandam gastos que não cabem, por enquanto, no orçamento. É que não aceitamos patrocínio com dinheiro público e não admitimos sermos transformados em vitrines para quem quer que seja. Qualquer apoio que, por ventura, venha precisa estar consciente que nossa linha editorial será definida pela redação, sem interferências externas.
João Ricardo Correia
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