A cada quatro pesquisas eleitorais registradas no País para o primeiro turno das eleições municipais deste ano, uma foi paga com recursos da própria empresa responsável pela produção do levantamento. A prática do autofinanciamento de pesquisas de intenção de voto já acendeu um alerta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Ministério Público Eleitoral nos pleitos passados e se tornou um dos alvos da Corte e das promotorias estaduais na tentativa de mitigar os efeitos de possíveis fraudes e o seu uso político para influenciar as eleições.
Entidades que regulam o setor e especialistas ouvidos pelo Estadão questionaram os interesses por trás da prática, que, segundo eles, abre brecha para que as empresas não revelem a origem do dinheiro despendido nas sondagens.
Os levantamentos autofinanciados levam a duas principais desconfianças, de acordo com os analistas. Em primeiro lugar, ao informar que realizaram as pesquisas sem contratante externo, esses institutos não precisam revelar a origem do dinheiro: se, de fato, veio da própria empresa, ou se veio de um contratante oculto.

Além disso, há dúvidas sobre a qualidade das sondagens. O temor é de que candidatos tentem forjar levantamentos para induzir votos.
As empresas responsáveis pela produção e divulgação das pesquisas autofinanciadas usaram R$ 38 milhões de recursos próprios para realizar os levantamentos, conforme dados do TSE. O Instituto Veritá é o líder em gastos com pesquisas eleitorais. De acordo com as informações da Justiça Eleitoral, a empresa produziu 297 levantamentos, sendo 296 pagos com recursos próprios. Os gastos chegam a cerca de R$ 10 milhões. Já o Instituto Skala registrou 228 pesquisas no período – 227 foram autofinanciadas. O gasto com os levantamentos foi de R$ 1,6 milhão.
Procuradas pela reportagem, as duas empresas não haviam se manifestado até a noite de ontem.
O coordenador do Conselho de Opinião Pública e Pesquisas Eleitorais da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas (Abep), João Meira, diretor do Instituto Vox Populi, afirmou que a origem dos recursos dos levantamentos autofinanciados é motivo de preocupação. Meira destacou que pesquisas eleitorais são caras e criticou a falta de controle e de transparência por parte das empresas.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Deixe um comentário