
É muito bom chegarmos ao ponto da vida que o silêncio, finalmente, ganha lugar de destaque. É quando já não existe mais a necessidade de falar demais, de comentar, julgar, intrometer-se, como se esse barulho existencial tivesse algum valor; como se sair tagarelando por aí fosse sinônimo de alguma condição superior.
Silenciar é ato de coragem, força, determinação, conhecimento, entendimento, sabedoria, sem menosprezo a qualquer tipo de criatura que prefere boiar no oba-oba superficial. É quando, se é que se teve algum dia, não se está mais preso à pretensão de exibir-se, com o objetivo de chamar a atenção ou tentar dizer algo de que não se tem a mínima ideia, mas que, num processo de “Maria vai com as outras”, quer mais é entrar na onda de vomitar suas opiniões pelos quatro cantos, deixando um rastro de idiotice que, mais cedo ou mais tarde, vai virar intolerância, pois é insuportável ser, praticamente, obrigado a ouvir discursos desconexos, repletos de egocentrismos, que não agregam nada de futuro à nossa existência.
Tão bom estar num ambiente saudável, respeitoso, livre de blablablás, gritarias, de besteiras verbalizadas insistentemente, onde o processo de comunicação não seja esmagado a partir de converseiros desnecessários, que poderiam, muito bem, serem substituídos por falas sobre assuntos de interesses coletivos, que não violentassem nossos tímpanos, nem nos causassem o desejo de sair daquele antro o mais rápido possível.
E, nem de longe, essa busca pelo silêncio transita pelo orgulho, pela chatice, pela falsa sensação de ter uma intelectualidade rasteira que não sobreviveria a dez minutos de debate com um sertanejo que ganha sua vida no cabo de uma enxada, que nunca frequentou uma escola, mas que carrega na alma a inteligência e a sensibilidade capazes de distribuir somente sentimentos nobres por onde passa.
Permanecer em silêncio é não virar mercadoria, esteja ela na mais singela banca de feira livre ou numa luxuosa loja de departamentos. É buscar o interior, a plenitude, quando temos a grandeza, inclusive, de estarmos isentos de qualquer dependência religiosa, tendo a consciência que nossa verdade precisa estar blindada, protegida de qualquer ação danosa que tenta nos humilhar, empurrar para precipícios físicos e emocionais.
Que o silêncio nos atinja e nos devolva a dignidade. Que, ignorando as opiniões alheias, achemos nosso cantinho de paz, por mais difícil que pareça encontrá-lo, onde possamos acalmar a alma, descansar o corpo e esperar, sem ansiedade, o que acontecerá no próximo milésimo de segundo. E tomando um cafezinho, tudo ganha um sabor especial.
Obrigado por sua atenção.
Abraço!
João Ricardo Correia
Imagem gerada por IA
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