
Quando termina o calçamento, é hora de encarar a estrada de terra. Às vezes, também é preciso escolher para qual lado seguir. Em outras ocasiões, as circunstâncias prejudicam a visibilidade; restam intuição, experiência, sorte e fé, para seguirmos.
São as idas e vindas da vida. A gangorra que hoje nos deixa embaixo e amanhã nos colocará no alto. É o emaranhado de sentimentos, julgamentos, opiniões, desafios, lágrimas, sorrisos, esperanças e desesperos, erros e acertos que forjam nossa existência. O tempo, senhor de si, cuida de tudo e de todos, discretamente, sem estardalhaço, sem gritaria, sem caras e bocas, sem gracejos, sem dramas; apenas sendo ele, seguindo o que manda o Criador, parindo inícios, determinando fins, sem aviso prévio.
Caminhos podem ser espinhosos, secos, inóspitos, ameaçadores, íngremes; mas também se apresentam floridos, planos, acolhedores, paradisíacos. E como é feita a seleção de quem passará por essa ou aquela paisagem? Merecimento? Condição financeira? Currículo escolar? Esperteza? Santidade? Religiosidade? Quem é capaz de saber o que vai acontecer em sua vida daqui a dois segundos?! Quem? E por onde passaremos ou seremos levados? Somos nós que decidimos? Será?!
A vida e seus mistérios. O ser humano cada vez sabendo menos sobre o ser, endeusando o ter. Época árdua onde o respeito é substituído pela conveniência. A materialidade exposta dentro de luxuosos templos religiosos, que reservam as calçadas como leitos, para quem não compactua com a sanha dos que se dizem próximos de Deus e tantas vezes, descaradamente e sem escrúpulo algum, sepultam a caridade, a misericórdia e o amor ao próximo, na mesma cova rasa em que despejaram suas chances de servir, ao invés de explorarem e serem servidos o tempo todo.
Enquanto a caminhada, que nenhum de nós sabe quando terminará, não chega ao fim, é tentar suportar os fardos e evoluir como pessoa, mesmo sabendo o quão frágeis somos e que não somos pior, nem melhor, que ninguém.O modo em que vemos a vida e nos comportamos é que nos distingue uns dos outros.
E também é bom se preparar, caso haja a necessidade de fazer o caminho de volta.
Boa sorte. E obrigado pela companhia.
Texto e foto:
João Ricardo Correia
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