
O brasileiro adora uma novela. Uma história bem contada, bem interpretada, pode até não ter um conteúdo decente, mas chama a atenção, atrai olhares, gera comentários. E nesse mundo das redes sociais, do virtual, narrativas resultam em “likes”, “cliques”, “compartilhamentos” e tudo isso transforma as postagens em vantagens – muitas vezes financeiras – aos seus autores.
Em um cenário polarizado, entre adoradores do presidente descondenado Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-presidente “mito” Jair Messias Bolsonaro, os capítulos da novela parecem não ter fim, ainda mais com inserções violentas, como facada no bucho de um e plano arquitetado para matar o outro, seu vice Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Novelas são uma mistura de realidade e ficção. Quase sempre terminam com o desvendamento de um crime e uma festa de casamento. Elas entorpecem. E esse entorpecimento permite que seus autores, muitíssimos bem pagos, criem cenários, direcionem o foco, sempre deixando o povão em segundo plano. Por trás dos autores, financiando tudo, está uma turma disposta a tudo para se manter no poder.
O Brasil é um celeiro de injustiças sociais, de privilégios condenáveis, de corrupção, de tráfico de drogas, de fome, de desemprego, de crianças sem escolas, serviço de saúde público precário em quase sua totalidade. Crescemos ouvindo que somos o país do futebol, mas esse título já nem cola mais em nós. “Bola”, por aqui, é vantagem para criminoso que se corrompe.
Nas telas, seja na TV, celular, computador, as novelas como nós conhecemos das antigas já não têm tanto destaque, porque a intenção dos criadores de narrativas é outra. Deixou de ser, basicamente, entretenimento. Virou pano de fundo para criminosos. Os capítulos que enfrentamos diariamente são reais, diante dos nossos olhos. Mas também existem outros armados, planejados para deixar a população ainda mais enfraquecida, dividida, a serviço dos ladrões do dinheiro público, agraciados por leis repletas de rombos para beneficiá-los, mais cedo ou mais tarde, depende do investimento disponível pela “produção da novela”. Os atores e atrizes, com raríssimas exceções, de dois em dois anos, saem às ruas, fingindo, enganando, querendo votos, somente votos.
Nesse emaranhado de discursos de “ódio” e “amor”, quem tem bom senso e se permite enxergar livremente, sem os filtros impostos pela classe política e seus seguidores, sabe muito bem que o final desse enredo não será bom para ninguém de caráter.
João Ricardo Correia
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