
É por esse tipo de sacanagem que o jornalismo brasileiro está desmoronando, nos últimos anos. Jornalismo negro? Mais uma cota? Mais uma divisão? Quer dizer que avaliaremos essa tão importante ferramenta para uma sociedade livre a partir da cor?
Que absurdo! Por isso, também, que a maioria das empresas de comunicação paga tão mal, aí permite que os profissionais tenham outros empregos – muitos dos quais em órgãos públicos, o que gera, além do salário, uma espécie de “simpatia” entre os veículos e os chefões do dinheiro público que, por coincidência, têm estreitas ligações com agências de publicidade, que destinam verbas para jornais, rádios, sites, blogs, portais e todos envolvidos no esquema saem ganhando, menos a qualidade das informações, que passam a ser controladas pelo rabo, igual a canoa.
Jornalismo não tem cor. Pelo menos, não deveria ter. São tantas hipocrisias, tantas fatias de uma mesma sociedade. Dividir enfraquece. É justamente isso que desejam os “donos do poder”, que estão espalhados pelos poderes executivo, legislativo e judiciário. Povo dividido é mais fácil de ser controlado, ameaçado, punido. E como esse tipo de irresponsabilidade cometido por diversos veículos de comunicação, o risco de uma desmoralização generalizada do Brasil cresce a cada dia.
Se começarmos a ver o “jornalismo negro” como legal, daqui pouco teremos, inclusive recebendo prêmios, o “jornalismo branco”, o “jornalismo LGBTQUIraioqueoparta”, “jornalismo hétero”, “jornalismo pop”, “jornalismo sertanejo”, “jornalismo inclusivo”, “jornalismo tipo assim” e por aí vai, descendo a ladeira.
Os idiotas vibram, comemoram, gozam. Querem mais é que a essência do jornalismo seja sepultada, definitivamente. O que importa para essa turma que adora dividir é exterminar os profissionais que sabem perguntar, escrever, falar, analisar, de forma séria, profunda. Valem, para essa turminha hipócrita, a superficialidade, as baboseiras, telejornais com apresentadores conversando merda, semi analfabetos se passando por jornalistas. E a maioria das empresas vai na onda e investe nessa desgraça generalizada, em detrimento de trabalhos que poderiam ser incentivados.
Pobre Brasil! País que deveria educar, promover a cidadania, juntar seu povo, fazer campanhas que mostrassem a importância da união entre todos, mas, não! Cria guetos, grupinhos e racha, inclusive, o jornalismo.
João Ricardo Correia
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