
Como faz falta, pelo menos pra mim e tenho certeza para um punhado de colegas de profissão, aquele tempo que a gente ia atrás da notícia, quando o celular era produto raro e caríssimo, não existiam as redes sociais, muito menos os grupos de WhatsApp. Não é questão de saudosismo, nem de ignorar a modernidade. É de perceber, como todo respeito aos que pensam diferente, que a qualidade do produto oferecido despencou. E continua ladeira abaixo.
Claro que em toda regra há exceção, mas noto que os veículos de comunicação, desde os “maiorais” até os que pelejam nos fundos de quintais e muitos desses sobrevivendo de esmolas governamentais, não estão mais interessados nas matérias exclusivas, nos furos de reportagem. Com a “pejotização”, emissoras de rádio e tv, em sua maioria, alimentam egos e dão corda a comunicadores que mais se preocupam com seus negócios, com suas curtidas, compartilhamentos, as palestras que darão, os eventos que apresentarão e transformam a notícia em objeto de valor inferior. Perdem a comunidade e a democracia. Ganham, quase como sempre, os espertalhões com caras de bonzinhos.
O protagonismo no jornalismo não é mais da notícia, dos entrevistados, do ouvir os dois lados do assunto. Não! Caras e bocas jogam a seriedade para baixo do tapete. Gritinhos, dancinhas e especialistas até em xampu para carecas desrespeitam o público que ainda quer ficar informado; não deformado.
Não é romantizar o jornalismo, mas exercê-lo e vender o que produz honestamente, sem ignorar a inteligência e o bom senso do público.
Por essas e outras, muitos afirmam que o “jornalismo morreu”. Prefiro acreditar em Dona Ritinha, uma saudosa amiga e ex-vizinha, que dizia: “A vergonha morreu e o caráter está doente”. Sim, acredito que ainda tem jeito, mas são necessários um grandioso esforço dos profissionais que têm a missão de informar com o mínimo de responsabilidade e a exigência do público, não aceitando ou dando audiência aos que se utilizam desse ferramenta tão importante para a sociedade somente para angariar uns trocados e transparecer uma vida que se desfaz na primeira notificação judicial.
Como fazem falta os repórteres “brigando” por uma entrevista interessante, verdadeira, que fujam dos textos prontos encaminhados pelas assessorias de comunicação ou departamentos comerciais dos veículos. Hoje, os dados que virarão “notícia” são compartilhados pelo comunicadores, que preferem a “empatia” com os colegas; por isso 99% dos que assistimos, lemos e ouvimos por aí são exatamente iguais, cópias fiéis e sem graça.
Parece papo de jornalista velho recalcado, não é? Pode até ser, para uns. Mas, enquanto eu sentir falta dos bons tempos que vivi e atuei como repórter por tantos anos, é sinal que ainda corre nas minhas veias esse sacerdócio, essa cachaça de melhor qualidade chamada de jornalismo.
João Ricardo Correia
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