
Tenho profundo respeito pelo tempo. Sou fã, admirador. Ele é justo e imprevisível. Não deixa brechas para indecisos e não oferece contrato de duração. Portanto, menosprezá-lo é ato falho. Acreditar que o “depois” se concretizará é mera ilusão. Melhor agir agora.
Tanta gente deixa para depois um telefonema, uma visita, uma conversa, adia a ida ao médico, deixa para levar o carro amanhã ao mecânico, diz que vai e não vai, deixa o filho esperando, a mãe e o pai vivendo a expectativa de mais um encontro. E, de repente, sem aviso prévio, você vira recordação, nada mais. Priorizar ações é essencial a quem tem a mínima noção da velocidade em que passam os milésimos de segundos.
O depois deve ficar pra depois, bem mais tarde, lá no rabo da fila. Já experimentei o amargor de não poder mais estar onde poderia ter estado, visto quem estava com saudade, conversado com quem poderia ter tantos ensinamentos a me passar. A imaturidade bate sem dó e nos mostra como, tantas vezes, somos insensíveis e irresponsáveis, com nós mesmos, com terceiros, com a vida.
Meu esforço é grande para aprender, ainda mais, a identificar os supérfluos, insignificantes, desprezíveis, muitos dos quais – e das quais – já se aproximaram e não agregaram nenhum valor a quem sou. Ser já me basta. É o que sinto, vejo, toco, ouço. Ter é consequência de um monte de fatores, entre eles alguns que, apesar dos esforços, parece que nunca os alcançaremos. Seria incompetência nossa ou o universo nos livrando de alguma situação que não enxergamos?
E pra você?! Quais as prioridades? O que pode ser deixado para depois?
Lembre-se: não existe contrato de duração com o tempo!
Depois, restam as lembranças, a saudade maltrata, a idade avança, os filhos crescem e vão embora, a casa vai ficando vazia e nós, com muita sorte, seremos lembrados no 2 de novembro. E em meio a tudo isso, se esperarmos um pouquinho para tomar o cafezinho, ele esfria. Aí, é de lascar!
Abraço!
Obrigado por compartilhar um pouco do seu valioso tempo comigo.
João Ricardo Correia
Imagem gerada por IA
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