
As teorias humanas atravessam o tempo justificando, explicando, catalogando, organizando, criando expectativas, gerando dúvidas e discussões. E quando os teóricos enveredam pela trilha das religiões, aí o bicho pega.
Se entender uma fórmula matemática, por mais básica que seja, é complicado para algumas pessoas, imagine estar diante de alguém que, alicerçado em uns aparentes e outros inconfessáveis interesses, tomou pra si a missão de enfiar na sua cabeça quem é o Criador do universo e o que acontecerá no instante imediato após a nossa morte.
Teorizar é por demais simples: basta ter um razoável pacote de conhecimentos e ferramentas de persuasão. A clientela é imensa, em todos os ramos, por todos os lados. Da mesma forma que um cidadão sai de casa precisando comprar um par de sapatos, outro zanza em busca de respostas para tudo. Ambos são alvos de vendedores. O que tiver maior capacidade de convencimento terá êxito na negociação.
Como você imagina Deus, tenha Ele a forma que tiver, de acordo com sua religião? E quem não acredita n’Ele? E quem não segue nenhuma religião e crê que existe um Ser superior que rege todo o universo? E a morte? Existe a vida eterna? Retornaremos à terra, em outros corpos, no processo de reencarnação? Como será o céu; ele existe? Ou céu e inferno são por aqui mesmo? Será que reencontraremos nossos antepassados, as pessoas que amamos/odiamos e se foram antes de nós? Ou estaremos resumidos ao que for dispensado pelos vermes e consumido pelo tempo, depois que um atestado de óbito decretar o nosso fim?
Em qual teoria devemos acreditar? Quem é o nosso teórico preferido? O padre, o pastor evangélico, o pai ou mãe de santo, o babalorixá, o dirigente do centro espírita? Outro? Quem?! É o que chamamos de fé que aponta os caminhos? Ou estamos, inocente ou desesperadamente, somente seguindo aconselhamentos humanos que nos são passados em templos tão distintos, que nos acolhem tão bem no momento da fraqueza e, depois de um tempo, começam a não fazer tanto sentido, pois percebemos, às vezes, que o que parecia sagrado e libertador nada mais é que garantia de sobrevivência para alguns “líderes”?
As teorias que nos tocam a alma são capazes de nos entorpecer, nos fazer acender uma alma para um santo e outra para o diabo; de irmos à missa, mas não deixarmos de dar uma passadinha no terreiro de umbanda e de acreditar nas cartas espalhadas sobre mesas enfeitadas com búzios, fitas coloridas, velas, incensos e imagens de simpáticas bruxinhas. Estamos vendo duendes ou completamente doentes?!
É a complexidade humana que semeia esse mistério instigante do cotidiano; que nos faz querer saber demais, quando não sabemos de nada. Que, todos os dias, oferece a mesma chance de respirar, enxergar, ouvir, falar, andar, raciocinar, a bilhões de humanos, que se diferenciam tanto uns dos outros. material e espiritualmente. Como explicar tudo isso? Quando saberemos, definitivamente e sem retoques, o processo de criação, desenvolvimento e fim dos seres vivos?
E se professássemos nossa crença, nossa fé, em casa, sem precisar de templos e pseudos líderes? Será que não estaríamos mais intimamente em sintonia com o sagrado, regando de forma mais pura e verdadeira nossa vida, rumo ao tempo escatológico?: Ou são as multidões que nos animam, nos tornam importantes, grandes e nos mostram à sociedade, como num estádio de futebol e num bloquinho de carnaval?!
Até o final ou à eternidade, é procurarmos ser atentos o suficiente para não virarmos vítimas de espertalhões, seguirmos aque’Ele que escolhermos, livremente, como nosso Deus.
E que não nos faltem juízo, fé e café!
Abraço!
João Ricardo Correia
Imagem gerada por IA
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